Na prática clínica, tanto atendendo crianças quanto adultos, tenho me deparado com recorrentes conflitos acerca das concepções sobre a educação de filhos. O avanço nas teorias de Personalidade e Desenvolvimento trouxe, sem dúvidas, esclarecimentos importantes sobre o universo infantil e sobre as formas mais adequadas de tratar as crianças. Entretanto, tem como consequência um bombardeio imperativo de orientações aos pais, muitas das quais implicam em condutas que lhe parecem estranhas e acabam sendo responsáveis por deixá-los inseguros e angustiados ao cuidar de seus pequenos.
Potencializando este movimento, cada vez mais os pais têm que se dividir entre inumeráveis exigências profissionais, pessoais, familiares e assim por diante, o que implica em menos tempo para estar junto das crianças e, consequentemente, em maior distanciamento de seu mundo. Buscam, então, compreendê-lo através das informações contidas em livros e programas de televisão, mas o que acabam encontrando são orientações que podem até ser contraditórias entre si, confundindo-se ainda mais ao tentar colocá-las em prática.
Percebo que isso tem levado a duas questões básicas. A primeira é o sentimento de culpa por parte dos pais, sentindo-se incapazes de desempenhar adequadamente seu papel e sofrendo por acreditar que se sua rotina fosse diferente, por exemplo, talvez obtivessem maior “êxito”.
A segunda é a perda da espontaneidade na relação entre pais e filhos. Confusos diante de tantas teorias e “receitas” acerca da melhor forma de lidar com determinada situação, acabam perdendo de vista a própria criança e os próprios valores e crenças. Agem, assim, de modo mecânico, com atitudes que muitas vezes não fazem sentido para si e acabam por desencadear sentimentos ainda mais negativos.
Faz-se importante, nesses momentos, resgatar o próprio referencial. O autoconhecimento e a clareza acerca das expectativas para a criança e da relação que se deseja ter com ela são imprescindíveis para eleger quais das orientações, o tempo todo recebidas pelas vias de informação, fazem realmente sentido para os pais.
Entretanto, este não é um processo simples. Em meio a tanto barulho, muitas vezes é difícil ouvir a própria voz. Nesse sentido, buscar a ajuda de um profissional de Psicologia que tenha condições de oferecer um espaço de reflexão conjunta pode ser muito proveitoso. Seja um processo psicoterapêutico individual, seja o atendimento à criança para buscar compreendê-la, sejam sessões de orientação de pais... Todas estas possibilidades podem contribuir imensamente para o resgate do fio condutor de cada família, de forma que, independente da rotina atribulada dos pais, possa haver o sentimento de segurança e unidade, tão importante para o desenvolvimento saudável da criança.
Luciana Palermo Coelho
Atua como psicóloga clínica,
atendendo crianças, adolescentes,
adultos e pacientes oncológicos.
Consultório de Luciana Palermo Coelho
Rua Dr. Marrey Júnior, 2355 – Sala 09
Franca/SP - Centro – (16)3432-1295


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